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domingo, 14 de março de 2010

Vivendo bem o seu papel(2b): Esposo(a)

Olá,
É bom estar com vocês novamente!

Estávamos refletindo sobre situações que causam discussões entre companheiros/esposos, e agora vamos analisar a segunda situação.
(Se você não leu a postagem da parte 2a., é aconselhável que leia antes de prosseguir nesta postagem. Clique e leia a Parte 2a.)

Vamos relembrar a situação B.
“Certa mulher vai se encontrar com o marido no trabalho dele para saírem juntos, e encontra-o já se despedindo dos colegas, pois já é fim de expediente. Uma das amigas dele o abraça, ajeita delicadamente o seu colarinho e deseja uma noite excelente, dando uma indiscreta piscadela. A esposa não gosta nada deste fato e fica com a cara fechada durante o encontro.”

Este é um bom exemplo da importância que tem o modo como interpretamos a situação.
Você já refletiu sobre o significado do comportamento desta amiga?

Qual seria a sua reação nesta situação? Vejamos as possibilidades:
 
1- Ação da Mulher:  Puxa o marido pelo braço e diz que ele já tem dona, levando-o irritada para fora da empresa.
Reação do Marido: Totalmente sem ação, vê que a possibilidade de um encontro romântico já era...
2- Ação da Mulher:  Tem um ataque de ciúmes e desconta a raiva no marido, sem revelar o motivo, ficando brava e não correspondendo a seus carinhos durante toda a noite.
Reação do Marido: Pensa que a irritação pode ser culpa da TPM, de uma unha que quebrou ou qualquer outra coisa que não lhe diz respeito. Dorme decepcionado.
3- Ação da Mulher: Logo após sair da empresa, diz ao marido que não entendeu bem o que a amiga quis dizer, e explica que não gostou da situação.  
Reação do Marido: Explica que ela é assim mesmo, e que eles têm uma amizade descontraída e bem humorada. A amiga fez apenas um comentário do tipo “esta noite promete!!”.
4- Ação da Mulher: Despede-se cordialmente dos colegas do marido e, depois, a sós, explica a ele o que sentiu durante aquele momento. Depois de ouvir o que ele tem a dizer a respeito, não toca mais no assunto e curte o encontro da melhor maneira possível.  
Reação do Marido: Diz que não é pra se preocupar, pois ele havia comentado que sairia com ela à noite, despertando brincadeiras dos colegas se referindo a como seria o encontro. E quando o papo dos amigos começou a entrar na intimidade dos dois, ele esclareceu que mudou de assunto.

Nem é necessário dizer que a interpretação da mulher nas primeiras duas situações foi totalmente diferente da situação real. Este exemplo diz muito sobre algumas das primeiras palavras da postagem anterior: “Na verdade, você não gosta é da sua visão do fato, e não do ele que realmente representa”.

Neste exemplo, fizemos menção ao ciúme da mulher e à interpretação errônea que ele pode causar, mas os homens também devem refletir sobre este assunto. E se fosse a situação inversa, com a mulher ganhando um abraço de um amigo?

Muitas vezes o ciúme e , no caso do homem, a “proteção excessiva do território”, faz com que as esposas ou esposos criem em sua mente uma situação que não existe, e o comportamento derivado deste pensamento pode ser desastroso, destruindo carreiras, amizades e até relacionamentos muito fortes.

É recomendável que você faça um exame detalhado de situações deste tipo para ter uma visão mais ampla de quais reações são justificadas por fatos palpáveis e quais são baseadas na pura imaginação.

Se a esposa não permite que o homem tenha amizades com mulheres, é porque ela enxerga indiscrição ou exagero dele ao demonstrar carinho, ou então porque o ciúme dela própria é exagerado.

Nas duas hipóteses, o mais aconselhável é que os dois conversem e cheguem num acordo a respeito do comportamento de ambos. Um abraço é perfeitamente aceitável entre dois bons amigos e nada mais é do que a prova de que eles se dão bem em sua convivência.

De uma forma geral, os hábitos que causarem incômodo podem ser esclarecidos numa boa conversa entre marido e mulher, e a abstenção do comportamento indesejável não deve ser encarado como um sacrifício muito grande, mas sim como algo que vale à pena fazer pelo bem do outro e de si mesmo.

Igualmente, se o marido não permite que a mulher tenha amigos, ou a proíbe de trabalhar fora de casa (caso ela assim deseje), ou impede que ela faça seus próprios planos no que se refere a estudos ou trabalho, ele está sufocando e limitando todas as possibilidades de realização de sua esposa.

O homem não deve comandar o relacionamento, mas o diálogo deve imperar em todas as situações. Ninguém é dono da vida de ninguém, e por mais que ele se empenhe em fazê-la feliz e dar tudo o que ela precisa, ela não se sentirá completa se não for capaz de construir sua própria história, contribuindo de alguma forma com a sociedade.

As pessoas precisam de contato com os outros. Não se consegue viver uma vida inteira convivendo apenas com o companheiro. A limitação arbitrada das relações termina por causar a insatisfação, tristeza, depressão e até outras doenças. Ninguém pode ser obrigado a desistir de seus sonhos por causa da vontade do outro, por mais que os dois se amem de verdade.

Se o casal chegar a um pensamento comum, e se verem que é melhor para os dois ela ficar em casa, tomar conta dos filhos, e os dois (principalmente a esposa) estiverem felizes com isso, então que seja!

Caso ambos concordem que uma roupa, ou uma atitude, deve ser trocada, ótimo! Mas que sejam conclusões discutidas e ponderadas para as duas partes. Nada de ficar fazendo pressão! E não é permitido insistir até que o outro desista de sua vontade em razão da inflexibilidade do parceiro. Não se pode suprimir os desejos das pessoas, pois assim - volto a dizer - você está matando uma parte dela.

Uma relação não deve também ser feita de cobranças, do tipo “ontem eu cedi, hoje cede você”. Cada qual deve ter em mente que o bem estar de um depende da felicidade do outro, e deve abrir mão do que for necessário para se continuar vivendo em harmonia.

Mesmo que você pense que está cedendo muito mais que o seu companheiro, lembre-se que numa relação bem-sucedida só há ganhadores, e se isso não estiver lhe causando danos, abrir mão de algo se torna um sacrifício muito pequeno se comparado com os benefícios presentes e futuros.

Outra coisa importante de ser dita, é que se você é um(a) esposo(a), significa que você está unido por uma ligação muito forte com alguém, e esta pessoa, dada a sua importância, merece no mínimo o seu respeito e consideração.

Desta forma, estando longe ou perto dela, você deve agir pensando na influência que seus atos têm em sua vida. Para se viver bem estando casado deve-se esquecer completamente o ditado que diz “o que os olhos não vêem o coração não sente”.

Não se deve reclamar da relação conjugal quando se está longe do(a) parceiro(a). E muito menos tomar atitudes que podem causar vergonha ou mágoa na relação. Um casamento é um relacionamento muito íntimo, e suas dificuldades devem ser discutidas entre os dois, e reveladas somente a quem eles acharem que seja importante, com a finalidade de conseguir ajuda ou conselhos.

Por fim, gostaria de ressaltar algumas das principais qualidades que contribuem para que a meta de felicidade seja alcançada:
- Fidelidade: A confiança é um sentimento que demora anos para ser conseguido, e apenas um segundo para ser completamente destruído.
- Lealdade: Estar presente na vida do outro e sentir a presença dele mesmo quando estiverem longe, e desta forma não tomar atitudes que possam causar mágoas ou decepções (não fazer nada "escondido").
- Bondade: Fazer coisas que deixem as pessoas confortáveis e felizes.
- Respeito: Não destruir a imagem ou o sentimento dos outros, seja na frente da pessoa ou mesmo por comentários com terceiros.
- Amor: Ter sempre em mente a felicidade do outro em todos os atos que praticar.
- Força de vontade: Fazer tudo pensando no que se quer alcançar na vida em comum, e abdicar das coisas que causam sofrimento a si mesmo ou ao outro.
- Companheirismo: Tomar atitudes que demonstrem que você está disposto a ser e fazer o outro feliz.

Estes são só pontos de partida. Cabe a cada um construir seu próprio caminho na busca da felicidade. Espero ter sido claro em minhas idéias, e que elas sejam uma pequena chama que ajudará a iluminar este caminho.

Acredite no seu potencial! E acredite que vale a pena buscar a felicidade, pois a própria busca tem em si suas recompensas!

Fiquem com Deus, e cuidem bem de suas (seus) esposas (os)! É o que eu peço de coração!

Até a semana que vem!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Vivendo bem o seu papel(2a): Esposo(a)


Quem é mais difícil de entender? O homem ou a mulher?
Provavelmente os homens responderão que são as mulheres, e vice-versa.
Eu digo que a pessoa mais difícil de você entender é você mesmo.

Te convido a abrir sua mente e refletir sobre o seguinte: Toda vez que você não gosta de alguma atitude, roupa, aparência ou qualquer outra característica que alguma pessoa tenha, na verdade o que não te agrada é a visão que você tem sobre esta coisa, aparência ou característica.

Pode ser difícil, de início, concordar com esta afirmativa. Mas, no decorrer de sua vida, se você prestar atenção nas coisas de que não gosta e se perguntar o “porquê” deste desagrado, e pensar nos reais motivos de ter esta ou aquela reação diante de alguma situação, concordará pelo menos em parte comigo.

Vamos usar exemplos:
A) Um homem está para sair com a esposa e esta se apresenta com um vestido colado, decotado, mas não muito curto. O homem diz a ela que não gostou do vestido, e que ela não deveria usá-lo porque mostra muito do seu corpo e parece vulgar.

B) Certa mulher vai se encontrar com o marido no trabalho dele para saírem juntos, e encontra-o já se despedindo dos colegas, pois já é fim de expediente. Uma das amigas dele o abraça, ajeita delicadamente o seu colarinho e deseja uma noite excelente, dando uma indiscreta piscadela. A esposa não gosta nada deste fato e fica com a cara fechada durante o encontro.

O que você faria se estivesse no lugar do homem ou da mulher destes exemplos? Como reagiria diante destas situações?

Estes exemplos foram inventados, mas não ficam longe de muitas situações reais, algumas das quais presenciadas por mim, ou de que tomei conhecimento por meio dos envolvidos. De qualquer forma, servirão apenas para dar uma idéia geral da reflexão que devemos fazer antes de criticar ou “proibir” alguma coisa.

Quando vivemos ou moramos com outras pessoas, somos obrigados explicita ou implicitamente a ter certas limitações, ou seja, abrir mão de algumas coisas. Se cada um tomasse as atitudes que quer sem pensar nos outros, a relação entre eles seria muito atribulada. E este fato fica ainda mais evidente em se tratando de um casal.

Essa “doação” que fazemos quando vivemos juntos, aliada a várias formas de amor*, ajudam a fortalecer cada vez mais a relação.

Voltando aos exemplos, vocês já pensaram nas reações que teriam? Vou enumerar várias situações possíveis. Vejamos se alguma destas se encaixa no seu jeito de ser:

Situação A:
1) A mulher fica frustrada porque o marido não gostou, troca de vestido e fica triste a noite toda.
2)Mesmo o homem não gostando, a mulher pode insistir em sair com o vestido, e certamente haverá uma discussão.
3) A mulher sorri e pergunta “Você acha que está feio ou só está com medo que outros homens olhem pra mim? Não se preocupe não que eu sou só de você, viu?”
4) ou diz “Escolhi este porque é o mais bonito, e pra sair com o homem da minha vida tenho que estar elegante, não é mesmo?”
5) O homem poderia dizer: “Este decote está meio grande, e o vestido um pouco curto na minha opinião. Você acha apropriado usar ele mesmo?” - E depois concordar com o que a mulher optar fazer. Afinal, a roupa e o corpo são dela.
6) Em vez de reclamar, o homem poderia ter ficado orgulhoso de sua mulher ter um corpo atraente e um vestido bonito.
7) O homem poderia fazer dois elogios: um para o vestido, em alto e bom som, e o outro para o corpo dela, ao pé do ouvido, acompanhado de um beijo suave.

Qual destas situações se encaixa em sua personalidade atual? (ponha-se no lugar do personagem que tem o seu sexo) E qual é a melhor solução na sua opinião?

Certamente, a primeira opção é a pior de todas, pois esta mulher não tem o mínimo de amor próprio. Em seguida, as opções vão melhorando até chegar na última, que é a situação perfeita.

Nada melhor para um casal que ter uma relação tão firme que os permita ter um diálogo aberto e franco, com mútua confiança, que respeitem a opinião um do outro, além de se orgulharem de ter um companheiro decidido e que transmite a segurança de que se precisa.

Se o casamento está indo bem, então não é necessário viver na defensiva, e esconder os dotes do companheiro com receio de que outros possam “se aproveitar” deles.

Esta mania de cuidar excessivamente do “território” é coisa de instinto animal, que deveria ser inibida com base no fato de que o casamento (ou relação conjugal) é uma formalização da união, e portanto faz parte da identidade do casal. Em outras palavras, a sociedade já sabe que vocês estão juntos, portanto, não há por que se ter receio de competição.

Se você não quer que sua(seu) esposa(o) fique bonita(o) ou atraente, é sinal de que há alguma insegurança na relação, e isso deve ser conversado abertamente para se chegar a um consenso.

Escute bem, eu disse “consenso”. Nada de pensar que “a minha opinião é a certa e não abro mão disso”, nem insistir na discussão até o outro ceder. O casamento é construído por duas pessoas, e ambas têm vontades, ambições, desejos e sentimentos. Não se deve esmagar nenhum destes direitos, pois assim você estará matando uma parte de quem deveria ser considerado o amor da sua vida, e como tal, deve ser valorizado por inteiro.
Voltando ao assunto, já que não há necessidade de ficar inseguro, não há justificativa para não incentivar roupas e adereços que valorizem a pessoa, resguardados os costumes da sociedade, do lugar, e a noção de exagero ou ridículo.

Asseguro-te que a valorização do que há de bom no outro e das coisas que o fazem se sentir bem é um estímulo para que cada dia a relação fique mais rica e bem-sucedida.

Há muita informação para ser colocada a respeito deste assunto, portanto, deixarei o segundo exemplo (Situação B), que por sinal é muito importante, para a próxima postagem (parte 2b), ainda esta semana. 
Além da análise desta situação, faremos também uma reflexão geral sobre uma relação de sucesso.

Reflitam sobre os dois casos com seus companheiros e se perguntem: “Quais dos comportamentos que tenho são maléficos para a minha relação?”

É só por hoje, mas o assunto não acabou.

Fiquem com Deus, sejam bons esposos, e até a próxima!
*Várias formas de amor, ou várias formas de amar:
- Dar um copo d'água ou de suco antes que o outro diga que está com sede;
- Fazer um carinho na orelha ou no cabelo do companheiro;
- Demorar um ou dois segundos a mais nos abraços, dando um suspiro e um aperto a mais antes de terminá-lo;
- Dizer “eu te amo” bem alto, ou no ouvido, bem baixinho;
- Acariciar os pés do(a) companheiro(a);
- Fazer uma tarefa que não é sua para agradá-la;
- Ouvir atentamente o que ela / ele tem a dizer, sem interromper;
- Deitar juntinho e enroscar os dedos dos pés nos do outro;
- Pedir colo;
- Oferecer colo;
Etc. Etc. Etc. (use a imaginação)